O que é o Mood Board? Uma ferramenta que permite fazer omoletes sem ovos?

Actualmente vivemos num mundo cada vez mais informado, com consumidores mais críticos e cada vez menos fiéis às marcas que consomem. As suas necessidades e motivações alteram-se num ápice. Portanto, as marcas e os profissionais que lidam diariamente com estas têm de definir quais as técnicas a utilizar, aperfeiçoando-as para que assim consigam dar origem ao máximo de insights e inputs de forma a fidelizar e impactar favoravelmente os consumidores para com as marcas que comunicam.

Neste clima de recessão económica em que vivemos, onde o investimento é cada vez mais diminuto e menos recorrente, todas as técnicas que ajudem a maximizar e rentabilizar esse mesmo investimento realizado são bem-vindas. A criatividade é como um génio da lâmpada que realiza esses desejos dos clientes. É uma dádiva vinda dos céus. A criatividade é o caviar, numa mesa onde todos comem amendoins. É o toque gourmet num almoço quotidiano e rotineiro.

O Mood Board é uma das técnicas que permite potenciar e favorecer o surgimento do “ovo de Colombo”, da vaca púrpura, da agulha num palheiro, o toque gourmet. É uma ferramenta utilizada principalmente pelos designers para ajudá-los a ter uma boa ideia de acordo com os pedidos dos seus clientes. Assim, o Mood Board é “basicamente o processo de colagem de fotografias, desenhos, recortes, amostras de tecido, de cores, de texturas, entre outras, num único painel, digital ou físico.”

(in http://www.wisegeek.com/what-is-a-mood-board.htm)

Segundo Garner & MacDonagh-Philp (2001) esta junção de elementos (fotografias, recortes, textos, cores e texturas) consegue transmitir emoções e sentimentos. Portanto, a escolhe e organização desses elementos, não pode ser efectuada aleatoriamente. O seu objectivo não é criar uma composição artística, como se verifica nas obras de pintores e artistas plásticos, por exemplo; mas sim criar um conceito, uma orientação, um sentido, uma intenção, um input que leva à criação de uma proposta que responde objectivamente a um problema ou necessidade referida no briefing do cliente, através da balizagem, direcção e definição de ideias. Desta forma, todo este processo de colagem é racional e auto-direccionado para que assim consiga responder a um objectivo pré-definido.

Mike Press e Rachel Cooper (1995) corroboram também com esse carácter de aprofundamento e definição de ideias com vista à solução de um problema. Assim, referem que um Mood Board “represents interpretations of the customer, the context and connotations of the type of product, using found imagery of people, products, places, colours, shapes, textures and so on. This enables both the designer and the client to debate the meanings expressed by the images and their relative appropriateness to the problem under consideration.” (pp.141)

Concluindo, no meu entender um Mood Board pode ser entendido como um processo criativo, que tem inicio na interiorização da vontade, pedido e informação dos clientes. Posteriormente todas essas informações são materializadas num painel através vários elementos visuais, tendo como base um conceito que ilustre esse mesmo pedido, isto é, serve de suporte para facilitar a compreensão de uma ideia, projecto com recurso a imagens, fotos explicando o que representa essa ideia para o seu criador e que o ajude a obter a melhor resposta ao pedido solicitado no briefing. Assim, pode dizer-se que o Mood Board é como um puzzle, em que todas as peças se fundem criando uma nova peça final, uma história, uma resposta ao enigma inicial, que é qual a melhor forma de responder ao pedido do cliente.

Referências bibliográficas:

http://www.wisegeek.com/what-is-a-mood-board.htm (consultado em 07.03.2011)

 

http://jonathadapper.wordpress.com/2010/01/13/mood-board-a-orientacao-do-processo-criativo/ (consultado em 07.03.2010)

http://abcdesign.com.br/design-de-produto/mood-board-um-instrumento-visual-de-apoio-aos-projetos-de-design/ (consultado em 07.03.2010)

COOPER, R.; PRESS, M. [1995] The Design Experience: The role of design and designers in the twenty-first century. The Design Agenda. John Wiley & Sons,Ltd. Chichester (UK), pp. 141.

GARNER, S.; MCDONAGH-PHILP, D. [2001] Problem Interpretation and Resolution via Visual Stimuli: The Use of ‘Mood Boards’. Design Education. The Journal of Art and Design Education, 20 [1], pp. 57-64.

 

Comments
One Response to “O que é o Mood Board? Uma ferramenta que permite fazer omoletes sem ovos?”
  1. Paula Cruz diz:

    O que está, está bem. Falta agora o resto: dar exemplos de vários mood boards, explicando-os, dar detalhe de vantagens e desvantagens no seu ponto de vista no processo criativo específico da comunicação; encontrar um conceito, palavra-chave ou frase que o definam pessoal e/ou profissionalmente, construir um mood board à volta desse conceito e explicá-lo.

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